terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Calçamento, iluminação, segurança, sede própria e entulhos irregulares são pauta da Associação

Adão Miguel Sodré Mattos, 50 anos, morador do Viegas há 35 anos, é o atual presidente da Associação Comunitária. Assumiu em julho do ano passado e tem um ano e meio para manter, num trabalho conjunto com toda diretoria, a legitimidade representativa que o movimento comunitário organizado sempre teve no Bairro


Presidente Adão Mattos
Viegas JornalQuais são hoje os principais problemas a serem enfrentados pela comunidade?
Adão Mattos  Um dos principais problemas é o depósito irregular de lixo nos terrenos baldios e calçadas. A população tem que se conscientizar que este tipo de ação desvaloriza nossos imóveis e traz problemas à saúde pública. Existe coleta de lixo, maneiras de comunicar a Prefeitura quando se faz uma limpeza no pátio. Outra grande reivindicação da comunidade é melhoria na segurança- a Brigada pouco passa, às vezes só de dia. Temos casos de assaltos, arrombamentos e vandalismos. A falta de calçamento também é outro problema- buraqueira, poeira constante- principalmente onde circula o coletivo.
VJ - Que iniciativas a Associação tem tomado?
Adão - Estivemos em audiência com o Prefeito Molon. Disse que, dentro dos poucos recursos que a Prefeitura tem, poderá ser feito calçamento no Bairro, desde que a população doe as pedras. A Prefeitura só arca com areia e mão de obra. Há um mês andamos pela Viegas à noite para fazermos um mapeamento das lâmpadas queimadas e passamos para administração municipal. Queremos que a comunidade nos informe sempre. Estamos fazendo parceria com o PPV- Programa de Combate à Violência de Camaquã, para algumas ações como o desenvolvimento do Projeto ArteViva. Através destas reuniões, realizadas em agosto e setembro, já formamos um banco de talentos- artesãs aptas a serem instrutoras nos cursos que pretendemos desenvolver.  Está sendo lançado também o Viegas Jornal, comunitário, para tratarmos de nossos assuntos e valorizarmos as potencialidades locais, além de estarmos na busca de novas fontes de recursos para o desenvolvimento de atividades sociais, educativas e culturais.
VJ – A Associação pretende sede própria?
      Adão - Desde que assumi este é um dos meus anseios. Temos que ter uma sede própria para reuniões, um lugar onde possamos deixar o fichário de associados, nossos documentos e receber as reivindicações.



Uma mão lava a outra





Através das reuniões com o PPV de Camaquã, o Bairro mostrou que tem talentos de sobra, além de disposição para incrementar novos cursos e oportunidades. Uma Mão lava a outra é o banco de instrutoras criado, que pretende a utilização de talentos locais para ministrarem futuros cursos, cujos recursos serão pleiteados, junto à comunidade e editais públicos. Fazem parte Trueyce Esther Tavares Barbosa (bonecas de pano, colagem de tecidos para customização de roupas e chinelos decorados), Tainara Naffi (bonecos em E.V.A), Maria Elisa Lessa (decoração de potes e vidros em E.V.A), entre outras.

Cultura Negra



Dom Feliciano, que sempre se destacou na região Centro-Sul pelo resgate histórico e cultural dos imigrantes, pretende o reconhecimento da figura do negro, através da criação do Centro Regional de Cidadania e Direitos Humanos João Cândido . Em 2008, o líder da Revolta da Chibata recebeu anistia post mortem, sancionada pelo presidente Lula. Antiga Serra do Herval, o município é a localidade onde nasceu o herói-exemplo na atuação contra as violações humanas. “A Região terá assim um importante marco para o resgate da história e da dívida que temos por séculos de racismo e um espaço de qualificação para o exercício da cidadania e organização comunitária”, afirmou o prefeito Clênio Boeira.

Cultura Indígena



A Presidente do Clube de Mães da Amizade está fazendo Campanha de Natal para os Mbyá-Guaranis da Reserva Indígena da Pacheca. Eles necessitam de doações, porque a venda do artesanato, principal fonte de sobrevivência, não é suficiente para a sustento de suas famílias, embora cultivem milho, feijão, entre outras culturas numa área pouco propícia, já que é demasiado arenosa. As doações, de alimentos,vestuário, brinquedos, ração para cães, podem ser feitas no Centro Social Urbano, às quintas-feiras, das 13h30min às 17h, quando o Clube realiza atividade, ou na Rua Cristal, 947. Informações: 51 36710140.

“E AÍ, O CALÇAMENTO?”

“Vão calçar alguma rua?” pergunta Marinês Gomes da Silva. “Se meia dúzia pode e outra não, o que acontece? A gente tá comendo terra. Isso já tem mais de 40 anos, tempo que moro aqui. Em época de eleição, eles sempre dizem que está dentro do plano de governo”

Marinês


Rosa Kunde ajudou a formular o abaixo-assinado com cerca de 400 assinaturas de moradores

No Viegas apenas duas ruas têm pavimentação completa− Cruz Alta e Livramento. Na Soledade falta um pequeno trecho para a conclusão e na Teodolino Viegas pouco mais da metade está calçada. “Para as outras 15, resta, principalmente, pó, que traz uma série de desconfortos para moradores e comerciantes”, diz o vice-presidente da Associação de Moradores, Marco Longaray. “A Prefeitura não tem uma política para calçamento de ruas nos bairros populares”, lamenta.
Pondera que, se for considerado o que foi feito nos últimos 20 anos, “dá para imaginar que até o ano de 2100 o bairro, talvez, ainda não esteja totalmente calçado”. “E isso tem que ser mudado se não quisermos continuar comendo pó ou enfrentando o barro, nos dias de chuva”, lamenta.
Segundo ele, há duas formas de viabilizar calçamento, através de emendas parlamentares, que são recursos vindos do orçamento da União por iniciativa de parlamentares, como as dos Deputados Federais Mendes Ribeiro (PMDB) e Paulo Pimenta (PT) para a Rua Soledade, sem custos para os moradores, ou através da compra de pedras e meio-fio pelos interessados. No último caso,  a Prefeitura entraria com a areia e a mão-de-obra.
Em audiência com o prefeito de Camaquã,  Ernesto Molon a direção da ABAV- Associação Comunitária dos Moradores do Bairro Viegas, solicitou que a Prefeitura estude a possibilidade de aumentar o prazo de pagamento dos materiais- hoje oferecido somente em até quatro prestações, para que se efetive mais calçamentos em ruas de bairros populares.
Conta que dá dor de cabeça
O morador tenha um terreno de 10m de frente numa  rua com 12m de largura e o custo da pedra (bloquete) a R$ 28,00 o metro quadrado: 10m de frente x 6m (até a metade da rua) x R$ 28,00 = R$ 1.680,00. Este valor tem que ser desembolsado à vista ou, no máximo, em até quatro vezes para a empresa fornecedora do bloquete. “E aí está todo o problema, como os moradores com renda baixa vão pagar à vista ou em até quatro vezes?”, diz Marco.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O segredo de um exemplar catador

Embora seja uma categoria profissional não reconhecida, o catador de resíduos é um  preservador do ambiente, a encontrar uma forma alternativa de organizar a própria sobrevivência

Vorni Bierhals com a bicicleta de trabalho que desenhou Separa os diferentes papéis, plásticos e metais em casa: “Quando termino minha reciclagem, deixo tudo arrumadinho

Como agregar valor ao materiais coletados? Vorni Bierhals, 63 anos, catador há seis anos: “Uma coisa que aprendi desde pequeno é ser caprichoso”, diz. “Seleciono bem meu material, bem separadinho.” É indicado pela Central de Reciclagem do Bairro Viegas como o melhor profissional da área. Diariamente, sai de casa às oito horas, e volta com bem mais de 100 de material: sucata, tudo que acha. A jornada lhe rende um bom faturamento mensal, bem mais de um salário mínimo.
Segundo ele, no bairro, de dez casas, apenas três separam o lixo, o que lamenta. “Nem é para mim, porque já estou velho, mas para um mundo melhor para nossos filhos e netos.”, fala. “Aqui em casa, meu filho, que hoje tem 21 anos, desde pequeno recicla. Quando passava um carroceiro, ele entregava”.
Vorni, agricultor aposentado, diz que só não ganha com o lixo quem não sabe separar o produto. Ele constatou que uma pessoa dedicada à coleta e reciclagem pode ganhar mais do que na lavoura: “tranquilamente R$ 50 por dia”. No início da atividade, passou um dia na Central de Reciclagem do Alemão para aprender sobre a separação e como se faz os fardos. Os fios de eletricidade que cata, por exemplo, desencapa um por um dos pedaços para retirar o cobre. Os metais sabe separar por diferentes tipos, assim como papéis e plásticos.
 Foi ele também que desenhou seu meio de transporte para o trabalho. Aconselhado pelo médico a andar de bicicleta, devido à problemas de saúde, engendrou uma com carcaças que tinha em casa.

Central de reciclagem do Alemão tem 25 anos

Osvaldo trabalha das 7h às 17h e vende o material no outro dia de manhã


Osvaldo Rodrigues Leal, 51 anos, ganha por mês R$ 350, a catar na Vila Jardim e Viegas. Junta papelão, ferro, alumínio, latinha, papel misto, caixa de leite. Diz que o cobre é o que dá mais. Só de garrafas pet consegue de 20 a 30kg por dia. É aposentado e, há cerca de seis anos, vende para reciclagem do Alemão, a fim de complementar a renda.
O Centro de Reciclagem do Alemão – Resisul, tem mais de 25 anos e já ganhou vários prêmios empresariais, entre eles o do Ingrap, em 2005. O Proprietário, Nilsom Thurow, iniciou a atividade ainda criança com o pai, catando materiais nas ruas. Hoje Nilsom conta com a assessoria do Filho, Michael, 25 anos e estudante de Direito.
Se antes a empresa ganhava o material para a comercialização, hoje ela compra, oferecendo uma alternativa de renda para 100 famílias do município, sendo 30 do Viegas, além de adquirir o lixo pré-reciclado de nove municípios da região, que por fim vai para as indústrias de reciclagem de Santa Catarina e São Paulo, dependendo da cotação, realizada semanalmente. No ano que vem, a Resisul abre uma filial em Florianópolis, SC, e para tanto adquiriu uma máquina importada da Itália que busca o material na esteira, prensa, ata e enfarda, desempenhando o trabalho de 18 homens.


    Os proprietários, Nilsom e Michael


Possuem caminhões para o transporte do material e já somam o número de oito prensas no estabelecimento

    Problema para eles e demais recicladores da região: vidro e pneus

    Em Camaquã, integram a Empresa 30 funcionários