quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Cafezinho com Clarissa Estes

O sustento da Vida Criativa

foto de mariana palova

A criatividade é um mutante: num momento assume uma forma, noutro outra. Será que o emprego de linhas coloridas, de tintas, de flores, papel, da criação de um grupo de artesanato, de passar bem um colarinho, de fazer uma revolução é comprovação? É.  Ela é um rio que não pára de correr na nossa vida.
Uns dizem que a vida criativa está nas idéias, outros que ela está na ação.  Trata-se de amor por algo, de sentir tanto amor por algo- seja por uma pessoa, por uma palavra, uma imagem, uma idéia, pelo bairro ou pela humanidade- que tudo o que pode ser feito com o excesso é criar. Não é uma questão de querer e nem um ato isolado da vontade. Simplesmente é o que se precisa fazer.
A força criadora escorre pelo terreno da nossa psique à procura de depressões naturais- os arroios, os canais que existem em nós. Nós nos tornamos seus afluentes e sua bacia.
As palavras bíblicas dizem: “vá e prepare um local para a alma”. O preparo de um local adequado estimula a criatividade avançar. Criar algo num certo ponto do rio alimenta quem vem até ele, nutre animais que estão bem à deriva e outros que estão nas profundezas. A criatividade não é um movimento solitário. Nisso reside seu poder. O que quer que seja tocado por ela e quem quer que a ouça, que a veja, que a sinta, que a conheça serão alimentados. É por isso que a observação da idéia, da imagem, da palavra criadora de outra pessoa nos preenche e nos inspira para nosso próprio trabalho criativo.
Se a abertura dela até nós for bloqueada, nós ficamos bloqueadas. Se sua corrente estiver envenenada pelos próprios complexos negativos internos ou pelas pessoas que nos cercam, os delicados processos que forjam nossas idéias também ficam poluídos. Passamos então a ser como um rio que morre.

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