quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O segredo de um exemplar catador

Embora seja uma categoria profissional não reconhecida, o catador de resíduos é um  preservador do ambiente, a encontrar uma forma alternativa de organizar a própria sobrevivência

Vorni Bierhals com a bicicleta de trabalho que desenhou Separa os diferentes papéis, plásticos e metais em casa: “Quando termino minha reciclagem, deixo tudo arrumadinho

Como agregar valor ao materiais coletados? Vorni Bierhals, 63 anos, catador há seis anos: “Uma coisa que aprendi desde pequeno é ser caprichoso”, diz. “Seleciono bem meu material, bem separadinho.” É indicado pela Central de Reciclagem do Bairro Viegas como o melhor profissional da área. Diariamente, sai de casa às oito horas, e volta com bem mais de 100 de material: sucata, tudo que acha. A jornada lhe rende um bom faturamento mensal, bem mais de um salário mínimo.
Segundo ele, no bairro, de dez casas, apenas três separam o lixo, o que lamenta. “Nem é para mim, porque já estou velho, mas para um mundo melhor para nossos filhos e netos.”, fala. “Aqui em casa, meu filho, que hoje tem 21 anos, desde pequeno recicla. Quando passava um carroceiro, ele entregava”.
Vorni, agricultor aposentado, diz que só não ganha com o lixo quem não sabe separar o produto. Ele constatou que uma pessoa dedicada à coleta e reciclagem pode ganhar mais do que na lavoura: “tranquilamente R$ 50 por dia”. No início da atividade, passou um dia na Central de Reciclagem do Alemão para aprender sobre a separação e como se faz os fardos. Os fios de eletricidade que cata, por exemplo, desencapa um por um dos pedaços para retirar o cobre. Os metais sabe separar por diferentes tipos, assim como papéis e plásticos.
 Foi ele também que desenhou seu meio de transporte para o trabalho. Aconselhado pelo médico a andar de bicicleta, devido à problemas de saúde, engendrou uma com carcaças que tinha em casa.

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